quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Da influência dos objetos sobre os seres humanos

Lúcia já tinha seus cinquenta e poucos anos quando arrumou um emprego novo. Seria empregada doméstica na casa de uma família de classe média. Na casa faria o de sempre: cozinhar, passar, limpar, etc... Até que Gustavo, o filho adolescente lhe apresentou a internet.

A jovem senhora ficou encantada com o mundo de possibilidades que aquele singelo aparelho podia oferecer. As salas de bate-papo eram a oitava maravilha do mundo e acabou viciada. Conversava sobre diversos assuntos, até que um dia, uma proposta ficou martelando seu juízo durante alguns dias. Ela havia sido chamada pra uma transa casual, coisa que nunca tinha pensado mesmo depois de viúva e com os três filhos criados.

O problema de Lúcia eram as suas calcinhas, ou melhor, calçolas. Ela não tinha nada apresentável para sair com os rapazes. Pensou em marcar um encontro às escuras e já ir sem o apetrecho, mas achou que seria muito vulgar. Esperou o pagamento, foi à loja de lingerie e comprou um modelito novo: vermelha, renda, fio dental. "- Os homens irão à loucura!" - pensou Lúcia enquanto, sorridente, recebia o troco da balconista.

Marcou o primeiro encontro, o segundo, o terceiro... vários. Bastava a calcinha estar na bolsa para correr escondida pro computador e marcar seus encontros após o trabalho. Lúcia tinha sim um ritual, para não ficar viciada, não levava a calcinha vez ou outra, então, quando se lembrava do que estava usando, desistia do encontro. Após uma semana de calcinha presente na bolsa e sexo selvagem incontável olhou por horas, observando atentamente, o vil objeto. Objeto esse que a transformara na jovem senhora mais despudorada da paróquia, na vovó do sexo, como era apelidada nos chats.

A calcinha, gritante, escarlate, pendurada no dedo indicador da mão direita, o isqueiro aceso na mão esquerda e a barra de rolagem do chat deixaram Lúcia, meio tonta, ponderava sobre um possível ataque de Nero ao objeto de adoração de Wando (in memorian), concluiu que deveria dar mais uma chance ao famigerado objeto e sairia, só por mais uma vez com ele na bolsa, só pra provar que era forte o suficiente e resistiria à tentação. Não resistiu, saiu com o Saradão23cm e no caminho de casa jogou a calcinha em uma lata de lixo. Arrependida, na madrugada, voltou ao latão, mas o lixeiro já havia carregado sua calcinha. Fez uma cruz de madeira, afincou no local e todo dia acendia uma vela pra sua companheira de tantas jornadas.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Das evocações equivocadas


Recentemente foi inaugurada em frente à minha casa, para meu total desespero, uma Igreja, dessas cuja placa deveria conter os dizeres: " Nunca faltou nada ao meu pastor, pois ele sempre foi fiel ao caixa 2. Resolvo então a partir de agora fundar a I Igreja do Quinto dos Infernos, pq dinheiro é bom e no meu bolso, melhor ainda!" ao invés de todas aquelas citações bíblicas q eles fazem questão de decorar, quer dizer, decorar não, eles absorvem por osmose através de seus livros sagrados colocados estrategicamente sob seus suvacos catingosos, é a chamada Bíblia Desodorante!

Durante toda gritaria q é peculiar aos fiéis de tal ceita pode-se ouvir inúmeras coisas, muitas delas q não fazem o menor cabimento, a evocação à Nação dos 318 (isso pra mim tem o maior jeitinho de umbanda), músicas cuja palavra Senhor repetem-se incessantemente... enfim, uma série de coisas q se ligar pro Serviço de Saúde Mental eles carregam todos enjaulados e devidamente amordaçados...

Como a curiosidade sempre foi o meu forte, parei para tentar prestar atenção num momento em especial... Era uma espécie de reunião de cura, ou algo do gênero, uma pajelância qualquer e eis q de repente eu ouço assim: É o capacete da consciência, o cinto da verdade, a sapatilha da paz e a couraça da justiça!!!!

PORRA!
Pelas pererecas falantes albinas da Mauritânia!!!
O q seria isso? Uma evocação de algum üper-herói? Sim, pois só faltou a espada justiceira com o olho de Thundera, ou um gritinho do tipo Vai, Planeta!!! pra pintosa forrozeira aparecer voando, a cavalo ou simplesmente montada num salto 15... Fiquei deveras curiosa e esperei ali na varanda por algum tempo, mas nada, nem um cometa Harley passou, nenhum anjo me soprou nos ouvidos a chegada de nenhum homem, principalmente chamado Messias... a única coisa q eu ouvi foi a minha mãe me dando um coió pq eu tinha esquecido a toalha molhada em cima da cama...

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Das flores que não morrem...

Maria Eduarda e Eduarda trabalhavam na mesma loja de departamentos em setores próximos. Eduarda era casada, religiosa, mãe de família. Maria Eduarda era recém-separada, mas com um namorado meio lusco-fusco. Era comum que fossem confundidas pela quase semelhança entre seus nomes, embora suas personalidades fossem completamente diferentes. Eram amigas! Até que...

Até que surgiu um buquê de flores (meia dúzia de rosas vermelhas, meio murchas, queimadas na borda) na recepção que foi direcionado à Maria Eduarda.

Maria Eduarda recebeu com carinho e antes mesmo de ler o cartão, ligou pro namorado agradecendo as flores. Seu namorado levou um susto e disse que não havia mandado nada, achou que era só uma brincadeira espirituosa da namorada e desligou o telefone sorrindo! Ao ler o bilhete veio o espanto: "Obrigada pela noite de ontem!" assim, seco, sem assinatura! Maria Eduarda lembrou que não havia passado a noite com o namorado, mas encontrou-se para uma conversinha informal com o ex, que não deu em nada! Sorriu pela gafe cometida e seguiu em frente na sessão de panelas.

Na hora do almoço, Maria Eduarda comia sua saladinha quando desde as escadas, com a fúria de Marimar, Eduarda. Eduarda a questiona sobre o fato de ter recebido um buquê de flores em seu lugar, que isso era falsidade ideológica, crime de estelionato e etc... Gritava no refeitório exigindo suas flores. Maria Eduarda ficou sem entender nada, afinal, seu nome constava no cartão com todas as letras e fazia todo sentido após lembrar da noite anterior... Eduarda não queria ouvir! Afirmava que havia recebido uma ligação dizendo que ela ganharia um presente com um cartão, e em sua cabeça, aquele era o presente! Esperneou, brigou, chorou querendo as flores! Até que leu o cartão. Seu conteúdo comprometedor a fez ter uma brilhante ideia: dizer que os cartões haviam sido trocados na floricultura (ideia tipicamente de quem assiste novela, tal qual Helena trocando os bebês em Por Amor). Insistiu nessa insanidade a tarde inteira, até que as flores foram parar no lixo e ela, abraçada à lixeira revelou: "-Eu mesma me enviei essas flores, caralho! Só que sou muito jumenta, escrevi meu nome errado!"

sábado, 20 de agosto de 2011

Das novidades na madrugada.


Eram 4h da madrugada e o telefone toca...
- Alô, amiga! É a sua amiga leeeinta!
-Oi, buceta! Que porra é essa de me ligar a essa hora da madrugada? Quem morreu?
- Ninguém  moreu não! eheheheeheheh
- Então você vai, pode apostar! Eu tava sonhando, kerélio! Diz logo, o q foi?
- Cara, aconteceu uma coisa essa noite... Tô besta até agora!
- Você pode fazer o favor de contar ou vou ter que ir aí te matar?
- Eu saí e encontrei os pais de uma amiga minha... bebemos umas cervejas, jogamos sinuca, conversamos muito... Eles são assim, do tipo doidões, sabe?!
- Huuum... sei!
- Pô, vc tá dormindo infeliz?
- Quase! Mas vai, conta, inferno! Vc já me acordou mesmo!
- Acabou que fui pra casa deles e tal...
- Tá, você fudeu com quem, com ele, com ela ou foram os 3 juntos?
- Com nenhum!
- Ué, não teve sacanagem?
- Não!
- Então pra que você me ligou a essa hora?
- Pra te contar a parada, tinha um lance de ET e tal...
- Ah, já que não teve foda,vai se fuder então! Tenho mais o que fazer! Tchau!


*bate o telefone com ódio*

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Das oportunidades desperdiçadas...


Lúcia era dessas moças q parecem ter saído de uma história Rodriguiana. Secretária de uma grande empresa, de caráter reto e comportamento intocável, mas que na saída dava pro primeiro macho que passasse na rua e a olhasse um pouco diferente. E vários eram esses homens, uma vez que Lúcia possuía atributos de mulher fatal, escondidos propositalmente embaixo de um terninho mal cortado e um coque muito mal feito!

Conheceu então alguém pela internet que a fazia subir pelas paredes só de imaginar a possibilidade de transarem... E marcaram então a tão esperada foda!

E foi no apartamento vazio de um amigo de Lúcia que se encontrou com Oswaldo, que a levou um buquê de rosas vermelhas e uma sidra Cereser, o que a fez lembrar logo da oferenda que estava devendo ao santo e no seu primeiro gole destinou uma parte ao referido! Oswaldo a pegou no colo e tascou um beijo daqueles de deixar qualquer um ofegante e as cenas seguintes pareciam sair diretamente de um filme brasileiro rodado no início dos anos 80 estrelado por Jesse Valadão. Um tal de cachorra pra cá, uma porradaria danada pra lá, muito puxão de cabelo, um toque de violência e fez com que Lúcia, já trincando os dentes de volúpia (obrigada, Nelson Rodrigues) falou:
- Vem cá, me possua AGORA!!!

Oswaldo soltou um riso nervoso e frenético e falou:
- Não posso! Sou impotente!

Vestindo peça por peça e chorando cada vez mais a cada peça vestida, ela foi embora, ainda assim, chorando desesperada, como uma Ofélia louca (aquela danada de Hamlet) entrou num táxi, sentando no banco da frente pq queria desabafar e vendo aquela camisa, desabotoada na primeira casa, aqueles pêlos saltitando, as mãos fortes, a barba grossa e a voz suavemente grave do motorista, não pôde conter os seus instintos de felina ferida, abriu-lhe a calça e caiu de boca, deixando o homem, a princípio um pouco confuso, mas em seguida muito feliz e ela, tornou-se sua freguesa mais constante!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Das falas inapropriadas

Conceição conheceu Adamastor na viagem de volta pra casa apertada, dentro de uma van, depois de um show de pagode... Os dois conversaram horas, uma vez que teriam de cruzar a cidade para chegarem na residência de seus patrões onde dormiriam aquela noite... Certos de que podiam ter algum tipo de intimidade, deixaram-se levar pelas carências e pelas letras maravilhosas que iam lembrando no caminho, resolveram se pegar! Foi uma pegação daquelas que só se vê em baile funk, pq eles tb freqüentavam tal excentricidade e sabiam tudo do bonde do faz gostoso... Desceram no meio do caminho, pois Adamastor lembrara que ali havia um pulgueiro desses que se aluga por R$ 10,00 a hora e entraram no recinto, de mãos dadas e tudo, tal qual um casal recém casados em lua de mel...

E tudo foi se desenrolando... Conceição ora tinha que prender a respiração por conta do mau cheiro exalado pelas axilas de Adamastor, ora tinha que soltar o ar pra cheirar mais uma carreira de pó que ele trazia em seu bolso... Adamastor por sua vez, percorria o corpo de Concieção com uma gana de desbravador e uma potência de dar inveja a qualquer cão farejador... O coito então estava certo! Conceição ali tal qual um frango assado, enquanto Adamastor se esforçava muito pra conseguir colocar a camisinha... E em cinco minutos estavam lá, colocando em prática todo conhecimento de física que adquiriram através do Telecurso 2000... Era um tal de movimento uniformemente variado, força centrípeda e centrífuga, empuxo daqui, ação e reação dali, até que no máximo de sua potência e numa voltagem 220, Adamastor comete o erro fatal, um comentário, como sempre!
A: - Vou te dizer um segredo!
C: - Hmmm...
A: - Nunca trepei com uma mulher assim!
C: - Hmmm...
A: - É assim, fora do padrão de beleza... Acima do peso!
C: - Hmmmmmmmm?

Conceição levantou-se, olhou pela janela e viu uma favela efervescente, lembrou-se do quão distante estava a casa de sua patroa, mas ter sido chamada de aflhada de São Jorge no meio da trepada lhe garantiu um ódio secular. 


Tomada pela mágoa de cabocla, Conceição levantou-se e disse que sairia correndo, pois havia deixado um arroz no fogo que estaria quase secando.
 

E Adamastor além de não gozar, está até agora sem entender pq os números dos telefones que Conceição havia passado pra ele não era de ninguém com o nome que procurava...

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Das boas ações que dependem de pequenas mentiras

As pessoas até tentam ser honestas, mas elas são envolvidas numa rede de maledicências e fofocas q acabam se traindo por algum motivo! Um grande exemplo dessa bobagem q estou falando está dentro de um lugar q vive na TV fazendo propaganda pra q vc vá lá e ajude ao próximo, os Bancos de Sangue. Exercendo então, o meu maior papel de cidaã consciente fui lá, afinal já passei dos 18 e tenho muito mais q 50kg... 
Deparo-me com uma galera do Corpo de Bombeiros (q corpo!) o q já me deixou assanhadinha, mas sentei numa cadeira fria e dura esperando a tal fila...
Esperei longas horas ali ao lado daquele bando de macho. Logo após um cadastro com coisas normais como telefone, endereço, CPF e etc, uma brutamonte furou meu dedo da carícia pra tirar uma gota de sangue, ao ver aquilo um bombeirão quase desmaiou, mas manteve-se firme, ainda era só uma gotinha...
Tudo ok com a minha glicose, fui então pra uma saleta com uma médica muito mal cheirosa responder a um questionário... Perguntas normais, como o q vc comeu hj pela manhã, bebeu ontem à noite... o clima foi esquentando quando ela chegou na parte dos relacionamentos sexuais!
* Vc já beijou pessoas do mesmo sexo q vc?
* Vc faz sexo oral constantemente no seu parceiro?
* E sexo anal?
* Qual foi o número máximo de pessoas q vc já transou ao mesmo tempo?
* Qual a freqüência de sexo por mês?
* Vc faz uso de drogas injetáveis?
Eu fui ficando tonta com aquela quantidade toda de perguntas e ela nem deixava eu respirar, perguntava rápido, olhando por cima do óculos, eu não conseguia nem respirar, quanto mais responder... Comecei a chorar lembrando da minha atual situação no q diz respeito à quantidade e qualidade de sexo q tenho encontrado pelo caminho... Chorava copiosamente, soluçava, não respondia porra nenhuma...
A médica então me deu três tapas na cara e um copo d´água e fui me acalmando. Ela insistia q eu respondesse aquilo tudo assim, abalada psicologicamente, nunca disseram a ela q não se fala de corda em casa de enforcado, caráleo?! No alto do desespero botei a mão na cintura, fiz umbanda com os ombros e perguntei:
- Vem, cá, ô metralhadora, vc quer q eu responda todas essas perguntas como?
- Como? Respondendo sim ou não e às vezes o número!
- Tá bom, mas a minha mãe vai ficar sabendo das respostas?
Milhões de perguntas depois pude chegar a uma conclusão: "Se fosse responder com verdade a todas as perguntas do questionário do banco de sangue, não ganharia pão com presunto, leite com achocolatado e uma fatia de melão!"